Eu Fico Loko – O Filme | Todos já fomos Christian Figueiredo

Ninguém segura esses YouTubers!

Chegou essa semana aos cinemas o filme do YouTuber Teen Christian Figueiredo – Eu Fico Loko – O Filme. Com expectativa zero (ou -1, para dizer a verdade), investi meu rico dinheirinho, em uma sessão de sexta-feira à tarde, para entender o que tanto aconteceu na vida de um rapaz de 22 anos para motivar um filme.

E não é que o filme é melhor do que eu imaginava? Não que eu tenha rido pra caramba, entendido todas as referências achado que a obra tem que entrar na lista de concorrentes ao melhor filme estrangeiro do Oscar, mas o filme cumpriu sua missão: me distraiu e me causou até certa nostalgia.

Assistindo o filme, não é difícil entender o sucesso do YouTuber com o público adolescente. O filme mostra tudo aquilo que todo mundo é ou já foi um dia: inseguro e com poucas certezas sobre a vida. E não é que Christian teve uma infância triste ou difícil, muito pelo contrário: os pais eram separados, mas sempre teve muito liberdade com a mãe moderna e o pai artista, estudou em escola particular, sempre teve uma boa vida classe média, mas suas inseguranças sempre o levaram a meter os pés pelas mãos.

Os personagens

Até onde sei, todo mundo que aparece no filme existe na vida real, mas não há como negar que todos os estereótipos possíveis de filmes adolescentes estão presentes no longa: o nerd, o badboy, o popular, a garota meiga, a livre… Mas o grande destaque do filme, na minha opinião, é alguém totalmente alheio ao núcleo teen da história: a avó.

A avó, pelo que pude perceber, foi uma figura importantíssima no desenvolvimento da personalidade de Christian. Retratada com muito carinho durante o filme, ela tem o papel de botão do foda-se na vida do rapaz, aquele que invariavelmente a vida ensina a todos nós que deve ser pressionado às vezes.

É YouTube no cinema?

Esse, talvez, seja um dos grandes acertos do filme: não é um vídeo do YouTube, mais longo e em tela grande, e sim um filme (bem tradicional) contando uma história (bem tradicional) de um adolescente que por acaso se tornou YouTuber. O início de Christian Figueiredo como produtor de conteúdo, inclusive, é apresentado de forma bem discreta até, e fica totalmente em segundo plano no filme, sendo apenas uma consequência das inúmeras frustrações do rapaz. As poucas aparições do YouTuber no filme ajudam a lembrar que aquela pessoa ali retratada realmente existe, mas que o roteiro poderia ser só mais o retrato de um típico looser de filme americano, não restam dúvidas.

Um outro destaque do filme é a caracterização de Filipe Bragança, protagonista do filme. Em algumas imagens, é bem difícil não achar que o próprio Christian está atuando no filme.

Mas e aí, vale a pena?

Como disse no começo do post, até que me surpreendi com Eu Fico Loko – O Filme. Eu estou bem longe de ser o público alvo do filme – já não sou teen há quase 15 anos -, mas consegui me divertir e até sair um pouco mais leve do cinema, vítima da nostalgia que qualquer filme falando sobre adolescência pode trazer. Em uma semana com Moana e Assassin’s Creed estreiando, entendo que é complicado dar preferência a um YouTuber adolescente, mas dê uma chance, prestigie o cinema nacional.

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